A ESTUPIDEZ HUMANA - PEQUENAS PALAVRAS

Afinal, porque ainda cometemos todos os mesmos erros? Por que decisões estúpidas voltam a se repetir e se repetir nos governos, religiões, empresas e, até mesmo, dentro de casa? A resposta, é claro, é: a estupidez. Mas aqui você precisa entender, estamos falando sobre burrice, no sentido literal da palavra, ou sobre algo específico? Tentarei responder a perguntas e discutirei, em parte, as ideias de estupidez de três dos maiores pensadores do conhecimento moderno - Emil Cioran, Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche

Se o filósofo romeno, Emil Cioran, conhecido por seu extremo pessimismo estiver certo, a consciência é um castigo. Quando pensamos em demasia, sofremos demasiado. Quando nem mesmo paramos para pensar e vivemos automaticamente, não nos intimidamos e paramos de nos questionar, parecemos mais leves, mais “adaptados” ao absurdo dessa vida . Mas aqui também, talvez seja a razão. Afinal, esses “adaptados” chegam ao poder. E aqui está o perigo -  a estupidez é perigosa quando ganha poder. A primeira coisa que o pensador simples fará.

Os humanos são espécie irracional e egoísta, diz Schopenhauer, e não somos liderados pela razão, mas por uma “vontade” irracional. Estamos entrelaçados por “desejos e vaidades” - e entre eles, tomamos decisões horríveis. Em outras palavras, ele acha que a maioria de nós é enganada. Acreditamos em enganosas promessas de felicidade. A verdadeira sabedoria está longe disso e sugere uma vida simples e silenciosa. Na verdade, ele estava imerso na poesia, que mal poderia ter. 

Para Nietzsche, o último movimento é a liberdade. Como humanos, somos treinados para não pensar, mas para obedecer, para a repetição de verdades que não ousam dizer o contrário – seja um “rebanho” porque é difícil ou porque não temos coragem de questionar. Ele sugeriu o ponto – crie seus próprios valores, e o natural se torna opaco.

A opção e estupidez possível independe da escolha de pensar por si mesmo ou escapar dela. A estupidez no caso humano não se relaciona com estar vazio de conhecimento, será até sem dúvida antecedente ao julgamento; Há muita mensagem que o ser humano quer evitar. Caminharmos no “automático” todo o dia, vamos cegar, correr, e mergulharemos em uma decisão exatamente o mais rápido possível. Não é só uma questão de ignorância, é uma atitude.

Quem anda pelos caminhos da liderança será sempre a pessoa mais preparada? Por vezes, o topo é povoado por quem fala alto, promete muito ou, ainda, por quem estava no lugar certo na hora certa. A história, assim como a nossa realidade, está cheia de exemplos de líderes que, por ignorância, vaidade e arrogância, decidem de maneira estúpida, a vida de milhares, quiçá de milhões de pessoas. Estes líderes  não apenas  são “mal informados”: inúmeras vezes desprezam o saber, não ouvem conselhos, e estão sempre rodeados de “puxas-sacos”. Estão dadas, aqui, as condições favoráveis para o surgimento de uma liderança estúpida.  

A liderança estúpida não se permite ser criticada, duvidada, e, muito menos, aprender com os próprios erros. Vale-se, exclusivamente, de frases prontas, do vazio dos discursos, bem como do medo ou da emoção para prender as pessoas. Deste modo, a inteligência coletiva some. Ninguém mais pensa por si, toma-se, somente, a repetir ordens. Qual é, então, o resultado? Decisionismo desastroso, desperdício de recursos, injustiças ou, às vezes, tragédias. Nas palavras de Cioran, “a estupidez tem o talento de ser insistente”. E a insistência, no poder, se transforma em perigo real.

Para escapar dessa sina, é preciso valorizar a educação, o pensamento crítico e, sobretudo, a líderes que saibam ouvir, aprender e mudar de opinião quando preciso. A boa liderança não é aquela que sabe todas as respostas, mas a que sabe perguntar. 

O dano de ceder poder a uma pessoa inábil é coletivo, embora o benefício de ceder poder a alguém sábio é coletivo também. Pense antes de seguir alguém, vote consciente e questione sempre quem fala como se tivesse todas as respostas são passos essenciais para não cair nas mãos do tolo muito poderoso.

O difícil, muitas vezes, é fundamental para quem quer se sentir menos instinto de rebanho e exercer um mínimo de lucidez.


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