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O PACTO: COMO A TRÍADE DO PODER SUGA A VIDA DA SOCIEDADE

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Há um padrão que insiste em se repetir, um roteiro sombrio que transforma o potencial das nações em pó e cinzas . Não é uma conspiração, mas uma confluência de ambições: o momento em que o poder religioso, o poder militar e o poder econômico decidem dançar juntos. Separados, já carregam sementes de autoritarismo; unidos por um projeto de dominação, tornam-se uma máquina quase imparável de decadência. E o pior é que essa aliança raramente se anuncia com clarões. Ela chega sussurrando promessas de ordem e grandeza, explorando nossos medos mais profundos. Pense na sedução perversa dessa ideia. Um líder "escolhido por um deus", sustentado pelas baionetas "leais" e pelo dinheiro dos "patriotas". É uma fantasia perigosa que vende a ilusão do atalho para a estabilidade. A história, no entanto, é implacável em nos mostrar o destino final desse caminho: o despotismo. O poder militar, quando se desvia de sua função republicana de defesa para se tornar o cão de guar...

QUANDO OS LÍDERES VIRAM PERSONAGENS E O POVO PLATÉIA

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O mundo parece ter mergulhado de cabeça num daqueles romances distópicos que a gente lê com um certo distanciamento cômodo, convencidos de que aquela realidade nunca chegaria às nossas portas. Mas eis que ela não só chegou como bateu com força, não com um estrondo, mas com um tuít e. A ascensão de figuras como Donald Trump não foi um acidente histórico, mas o sintoma de uma doença muito mais profunda, que corrói as entranhas das democracias modernas . É o culto à personalidade elevado à enésima potência, onde o ego do líder deixa de ser um traço de personalidade para se tornar a própria estratégia de governo. Esses líderes, veja bem, não governam – eles atuam.  A especialidade é construir realidades paralelas, um mundo onde os fatos são moeda de troca e a verdade não passa de um incômodo a ser eliminado. O grande tabuleiro das relações internacionais, que sempre demandou racionalidade e um mínimo de previsibilidade, foi reduzido a um reality show grotesco, onde humilhar um aliad...

O VAZIO A SUSSURRAR E O REFLEXO DA NOSSA INAÇÃO

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O silêncio nunca foi tão barulhento. Um zumbido de desespero, um ruído de fundo que sussurra promessas de ordem. A democracia nos deu o direito de escolher, mas nos negou a paz de não precisar fazê-lo. E nesse vazio, ergue-se a sombra familiar, vestindo novas roupagens para velhos cantos de sereia. Platão já antevia o colapso: " O tirano sempre surge como protetor do povo " (PLATÃO, 2001, p. 332). A queda começa na alma, não nas instituições. Um cansaço da liberdade. Um desejo doentio por obediência. Vimos isso nos comícios de Nuremberg, mas também nos tweets perfeitamente calculados que transformam a política em espetáculo de ódio. Lembro que numa aula de filosofia, alguém soltou esta frase: estrutura do poder autoritário se constrói com o mesmo material que é o medo do diferente. Já Sartre ataca com muita precisão: "Não somos nada além do que fazemos" (SARTRE, 1997, p. 55). A neutralidade é uma farsa. Uma escolha covarde. A má-fé é o refúgio dos medíocres que, ...

OS FANTASMAS QUE NOS ASSOLARAM, REGRESSAM

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Vivemos tempos estranhos e contraditórios. De um lado, nunca estivemos tão conectados, com tanta tecnologia ao nosso alcance. De outro, parece que velhos fantasmas do passado estão regressando, vestidos com roupagens modernas. Não são golpes militares clássicos como outrora, com tanques nas ruas e generais declarando lei marcial na televisão. A ameaça atual é mais silenciosa, mais sorrateira. É uma erosão lenta, um desmonte paciente das engrenagens que sustentam a democracia. Se olharmos para as ditaduras do século XX, na América Latina ou na Europa, a tomada de poder era geralmente brutal e abrupta. A violência era explícita, a censura óbvia, e a opressão, um fato inquestionável da vida cotidiana. Era um mundo de preto e branco, onde o medo era o instrumento principal de controle. Todos sabiam onde estava a linha que não podia ser cruzada. O jogo agora é diferente. O manual do autoritário moderno foi reescrito. Ele não precisa dar um golpe; basta ganhar uma eleição. Uma vez lá, co...