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SOLIDÃO COLETIVA: A ESCRIVANINHA VAZIA DA ALMA

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É uma ironia das grandes: vivemos hiper conectados e, no entanto, mais sós do que nunca . Nossos dedos deslizam por essas telas, curtindo, amando e se indignando com a mesma facilidade com que fechamos uma janela pop-up. A gente se tornou expert em criar avatar, em editar a vida para exportar, mas esqueceu a senha do que é, de fato, estar vivo. É como se todo mundo estivesse numa festa fantasiado de "feliz" e ninguém ousasse chegar perto e perguntar: "e aí, tá tudo bem mesmo?". Zygmunt Bauman , com sua lúcida metáfora da "modernidade líquida", parece ter previsto esse nosso mal-estar elegante. Ele argumenta que nossas instituições e laços afetivos já não possuem a solidez do concreto, mas a fluidez da água (BAUMAN, 2001). Tudo escorre entre os dedos: empregos, amizades, amores. Nesse rio constante de mudança, aprofundar tornou-se um risco calculado, um investimento emocional de alto retorno incerto. Para quê cavar um poço se podemos saciar nossa sede mom...

O MAL QUE HABITA AO LADO - INÉRCIA E OPRESSÃO

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A pergunta pela origem do mal não é um mero exercício teológico ou filosófico para ser debatido em torres de marfim. Ela ecoa nos nossos silêncios constrangidos, nas pequenas traições do dia a dia, na frieza com que às vezes ignoramos o sofrimento alheio. De onde vem essa capacidade, tão humana, de causar dor? Será que o mal é uma força externa e sobrenatural, ou algo que brota de dentro de nós, um produto amargo da nossa própria condição? Há séculos, Sócrates balançou Atenas com uma ideia desconcertante: ninguém faz o mal voluntariamente. Para ele, todo ato prejudicial é, em sua raiz última, um erro de cálculo . A pessoa que pratica o mal sofre de uma profunda ignorância, não de fatos, mas do que verdadeiramente é o bem. Ela confunde seu interesse imediato, seu prazer ou sua segurança com a verdadeira felicidade. Nessa visão, o malfeitor é, antes de tudo, um tolo, um ignorante que precisa ser educado, não apenas punido. É uma visão muito generosa, mas será suficiente para explicar ...

POR QUE EU SOU EU E NÃO O OUTRO? O ESPELHO SEM REFLEXO

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Há perguntas que surgem nos momentos mais improváveis, não é mesmo? Aquela quietude no trânsito, o silêncio da madrugada quando o sono te abandona, ou simplesmente ao olhar no espelho e se deparar com um estranho familiar.  De onde vem essa sensação íntima e ao mesmo tempo tão vasta de ser quem se é? Por que esta consciência, estes pensamentos, este ‘eu’ habitam este corpo e não o seu, ou o de qualquer outra pessoa que cruza a rua?   Não se preocupe, não tenho a resposta definitiva. Ninguém tem. Mas a jornada para tentar esbarrar nela talvez seja o que nos torna mais humanos.  Voltem os olhos para onde tudo começou, muito antes de Freud ou dos manuais de auto ajuda. Os pré-socráticos, aqueles primeiros filósofos gregos, já mastigavam essa angústia primordial. Parmênides, por exemplo, afirmava que o ser é, e o não-ser não é. Parece óbvio, mas é profundo: a simples existência do ‘eu’ é um fato incontornável, a primeira e mais verdadeira de todas as certezas. É o pont...