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O QUE NOS AFUNDA E A LIBERDADE IGNORADA

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A gente vive numa correria desenfreada, enchendo os nossos dias de obrigações, metas e distrações. É um ritmo muito louco, quase automático. Até que, do nada, alguma coisa nos faz despertar. Pode ser um resultado de exame, a perda de alguém que amamos, ou simplesmente aquele momento pela manhã em que nos perguntamos: onde foi parar aquele jovem que eu era? De repente, a penumbra da finitude, que sempre esteve ali, se torna visível e fica impossível ignorar. E aí a pergunta que a gente empurra com a barriga a vida inteira vem com uma força avassaladora: e quando acabar? O curioso é que aparentemente somos os únicos animais a carregar esse fardo. Você já viu um gato ter uma crise de ansiedade pensando que só tem mais sete vidas? Um elefante, por mais sábio que seja, não fica angustiado com a própria finitude. Nós, os humanos, ganhamos uma faca de dois gumes: a consciência. Ela nos deu a arte, a ciência, o amor. Mas também nos deu o conhecimento terrível de que um dia a festa acaba. E a g...

POR QUE EU SOU EU E NÃO O OUTRO? O ESPELHO SEM REFLEXO

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Há perguntas que surgem nos momentos mais improváveis, não é mesmo? Aquela quietude no trânsito, o silêncio da madrugada quando o sono te abandona, ou simplesmente ao olhar no espelho e se deparar com um estranho familiar.  De onde vem essa sensação íntima e ao mesmo tempo tão vasta de ser quem se é? Por que esta consciência, estes pensamentos, este ‘eu’ habitam este corpo e não o seu, ou o de qualquer outra pessoa que cruza a rua?   Não se preocupe, não tenho a resposta definitiva. Ninguém tem. Mas a jornada para tentar esbarrar nela talvez seja o que nos torna mais humanos.  Voltem os olhos para onde tudo começou, muito antes de Freud ou dos manuais de auto ajuda. Os pré-socráticos, aqueles primeiros filósofos gregos, já mastigavam essa angústia primordial. Parmênides, por exemplo, afirmava que o ser é, e o não-ser não é. Parece óbvio, mas é profundo: a simples existência do ‘eu’ é um fato incontornável, a primeira e mais verdadeira de todas as certezas. É o pont...