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AFUNDAR DEVAGAR: SOBRE A NOSSA SERVIDÃO ACOLHEDORA

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Existe um tipo de silêncio que não anuncia a tempestade, mas sim a sua acomodação. É o ruído baixo e constante do consenso, o zumbido de um acordo não dito de que as grandes batalhas terminaram. Nosso tempo é marcado por essa aceitação peculiar do colapso, uma rendição que não vem com estrondo, mas com o sussurro de uma esperança que se esvai pela pia abaixo. O futuro, aquele horizonte que nos movia, tornou-se uma paisagem difusa, substituída por um presente contínuo e febril, um eterno agora sem saída. Esse estranho consenso me lembra um velho fantasma que assombra o pensamento político: a ideia da “Servidão Voluntária”. Étienne de La Boétie , no século XVI, já se espantava com a multidão que, podendo ser livre, escolhia a coleira. Roberto Toscano e Ramin Jahanbegloo , revisitando esse ensaio, vão além: sugerem que há em nós uma compulsão inata pela segurança, uma perplexidade diante do vazio da liberdade. Preferimos a certeza do cativeiro ao caos aterrorizante da autonomia. Nosso pa...