O REGRESSO INFINITO: QUEM CRIA O CRIADOR?
Há algo de desconcertante no modo como o cosmos se cala. Diante do céu aberto, salpicado de luzes que parecem tão antigas quanto o próprio tempo, o ser humano sempre se viu forçado a perguntar de onde brota tudo o que existe. Muitas tradições responderam a esse assombro com a figura de um criador - um gesto divino que, num sopro inicial, teria arrancado o mundo do nada. Essa imagem consola e organiza: ajuda-nos a dar sentido à desordem e a imaginar uma origem que não seja mero acaso. Mas basta aceitar essa hipótese por um instante para que outra dúvida surja, ainda mais inquieta. Se tudo precisa de um princípio, quem, então, teria dado origem ao próprio criador? A pergunta incomoda, quase ofende certos ouvidos; porém, para a filosofia e para a ciência, ela é inevitável. É ali, nesse limite em que a lógica parece tropeçar, que começamos a perceber o quanto nossas categorias são frágeis. Podemos tentar virar o problema do avesso. E se o universo, ou aquilo que chamamos assim, nunca tive...