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O MAL QUE HABITA AO LADO - INÉRCIA E OPRESSÃO

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A pergunta pela origem do mal não é um mero exercício teológico ou filosófico para ser debatido em torres de marfim. Ela ecoa nos nossos silêncios constrangidos, nas pequenas traições do dia a dia, na frieza com que às vezes ignoramos o sofrimento alheio. De onde vem essa capacidade, tão humana, de causar dor? Será que o mal é uma força externa e sobrenatural, ou algo que brota de dentro de nós, um produto amargo da nossa própria condição? Há séculos, Sócrates balançou Atenas com uma ideia desconcertante: ninguém faz o mal voluntariamente. Para ele, todo ato prejudicial é, em sua raiz última, um erro de cálculo . A pessoa que pratica o mal sofre de uma profunda ignorância, não de fatos, mas do que verdadeiramente é o bem. Ela confunde seu interesse imediato, seu prazer ou sua segurança com a verdadeira felicidade. Nessa visão, o malfeitor é, antes de tudo, um tolo, um ignorante que precisa ser educado, não apenas punido. É uma visão muito generosa, mas será suficiente para explicar ...

QUANDO DEUS SOBE NO PALANQUE

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A religião sempre foi um espelho deformado da condição humana . Ela promete sentido no caos, consolo na dor, um fio de luz na escuridão que nos envolve desde o nascimento. Mas quando esse espelho é erguido nos palcos da política, ele distorce a realidade. O que deveria libertar se transforma em corrente; o que deveria iluminar se converte em sombra. Cioran descreveu a fé como um anestésico para a consciência, um bálsamo que nos permite suportar a dor de existir. Mas toda anestesia tem preço. Um povo anestesiado pelo conforto de ilusões torna-se dócil, facilmente guiado por mãos que sabem misturar promessa divina e autoridade humana. O governo que fala em nome de Deus não governa cidadãos; governa fé disfarçada de poder. Nietzsche foi ainda mais direto: o cristianismo é a moral dos escravos. Ensina resignação, subordinação e paciência diante da injustiça. A política, consciente dessa docilidade, usa a fé como muleta. Quanto mais o povo espera recompensas em outro mundo, menos ele ques...

QUANDO OS DEMAGOGOS RESSURGEM NAS CRISES

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A sensação é estranhamente familiar. Em diversas nações, figuras políticas que desafiam instituições, semeiam polarização e flertam com o autoritarismo ganham espaço . Não é um fenômeno isolado, nem surgiu do vácuo. A ascensão de lideranças de extrema-direita na atualidade ecoa, de forma perturbadora, padrões históricos que historiadores e cientistas políticos vêm há décadas alertando. Compreender essa dinâmica não é um exercício acadêmico distante; é crucial para decifrar nosso presente. A mistura política perfeita para esses movimentos parece sempre envolver uma mistura tóxica de insegurança profunda. Crises econômicas prolongadas, que corroem a confiança no futuro e ampliam desigualdades, são combustível potente. Como Robert Paxton , renomado historiador do fascismo, observa, movimentos radicais frequentemente encontram terreno fértil quando grandes parcelas da população se sentem "deixadas para trás", economicamente vulneráveis e culturalmente deslocadas. A ansiedade sob...