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SOLIDÃO COLETIVA: A ESCRIVANINHA VAZIA DA ALMA

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É uma ironia das grandes: vivemos hiper conectados e, no entanto, mais sós do que nunca . Nossos dedos deslizam por essas telas, curtindo, amando e se indignando com a mesma facilidade com que fechamos uma janela pop-up. A gente se tornou expert em criar avatar, em editar a vida para exportar, mas esqueceu a senha do que é, de fato, estar vivo. É como se todo mundo estivesse numa festa fantasiado de "feliz" e ninguém ousasse chegar perto e perguntar: "e aí, tá tudo bem mesmo?". Zygmunt Bauman , com sua lúcida metáfora da "modernidade líquida", parece ter previsto esse nosso mal-estar elegante. Ele argumenta que nossas instituições e laços afetivos já não possuem a solidez do concreto, mas a fluidez da água (BAUMAN, 2001). Tudo escorre entre os dedos: empregos, amizades, amores. Nesse rio constante de mudança, aprofundar tornou-se um risco calculado, um investimento emocional de alto retorno incerto. Para quê cavar um poço se podemos saciar nossa sede mom...

OS FANTASMAS QUE NOS ASSOLARAM, REGRESSAM

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Vivemos tempos estranhos e contraditórios. De um lado, nunca estivemos tão conectados, com tanta tecnologia ao nosso alcance. De outro, parece que velhos fantasmas do passado estão regressando, vestidos com roupagens modernas. Não são golpes militares clássicos como outrora, com tanques nas ruas e generais declarando lei marcial na televisão. A ameaça atual é mais silenciosa, mais sorrateira. É uma erosão lenta, um desmonte paciente das engrenagens que sustentam a democracia. Se olharmos para as ditaduras do século XX, na América Latina ou na Europa, a tomada de poder era geralmente brutal e abrupta. A violência era explícita, a censura óbvia, e a opressão, um fato inquestionável da vida cotidiana. Era um mundo de preto e branco, onde o medo era o instrumento principal de controle. Todos sabiam onde estava a linha que não podia ser cruzada. O jogo agora é diferente. O manual do autoritário moderno foi reescrito. Ele não precisa dar um golpe; basta ganhar uma eleição. Uma vez lá, co...

OS SANTOS DE BOUTIQUE QUE SEQUESTRAM O SAGRADO

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"Quem conhece profundamente os homens evita os ídolos" (Nietzsche). Você já parou pra pensar quantos "ungidos" surgem por ano? Parece epidemia de messias. Pastores de helicóptero, gurus de academia premium, apóstolos que cobram ingresso pra "noite do poder". Tá virando um mercado de ilusões onde a fé é precificada e a esperança, vendida a prestação. O pior é ver gente inteligente caindo nesse conto. Como dizia Zygmant Bauman , o sociólogo da modernidade líquida: " A fragilidade das certezas transforma charlatães em salvadores ". Quando o desemprego aperta, o casamento desanda ou a depressão bate, qualquer picareta com discurso bíblico e terninho caro vira farol. E nós? Trocamos o senso crítico por um pacote de milagres fictícios. Mas atenção: Não estou falando de fé verdadeira - pelo menos pelo que se entende como fé. Falo da indústria que transforma templos em shopping centers espirituais. Aquela máquina bem ajeitada que converte: dúvidas em ...