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QUANDO O CULTO À PERSONALIDADE SABOTA A RAZÃO COLETIVA

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O século XXI parece ter acordado com pressa - e nunca mais saiu desse estado febril. A informação se atropela, as opiniões surgem antes de serem pensadas e, curiosamente, apesar de toda essa hiperconsciência, continuamos presos a algo profundamente antigo. Celebramos o fim dos grandes relatos como quem se liberta de um jugo, mas logo nos ajoelhamos diante de figuras públicas com a mesma devoção que nossos antepassados dirigiam aos seus deuses domésticos. Isso não é exatamente novo; o que é novo é a fulminante velocidade com que fabricamos e destruímos esses ídolos políticos e culturais. O mais inquietante é que parece não ser o líder a questão, mas o vazio que nos leva a buscá-lo. Será que a política contemporânea é apenas um palco atualizado para rituais pagãos que nunca abandonamos de verdade? Não posso deixar de envolver Emil Cioran , que nunca teve medo de tocar na ferida humana, percebeu esse impulso com precisão desconfortável. Em Breviário de Decomposição (1949), ele insiste:...

A REBELDIA DE NÃO ACREDITAR EM NADA E ENCONTRAR TUDO

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Em um mundo saturado de ruído, opiniões e certezas efêmeras, existe uma estranha atração pelo silêncio. Não aquele silêncio cômodo da paz interior, mas um silêncio primordial, absoluto, que é o chão de tudo. É no encontro com este vácuo fundamental que descobrimos uma verdade desconcertante: quem já atravessou as paisagens áridas de seu próprio inferno pessoal descobre que o ridículo, a opinião alheia, perde todo seu poder. A alma, uma vez carbonizada pelo sofrimento real, torna-se imune aos fogos de artifício das vaidades sociais. Essa jornada através do deserto existencial nos leva a uma compreensão profunda do absurdo. O absurdo não é uma teoria filosófica para ser debatida em salas arejadas; é a experiência visceral de um mundo desprovido de sentido intrínseco, onde perguntas fundamentais ecoam no vazio sem resposta. Foi Emil Cioran , o filósofo do crepúsculo e da insônia, quem explorou com maestria sombria esses territórios. Para ele, a consciência do absurdo não é uma sentença de...