Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta transcendência

SABEDORIA DO FIM: COMO A DEPRESSÃO REVELA O QUE A ALEGRIA ESCONDE

Imagem
Será que erramos a mão? Esse vazio que teima em morar no peito, esse frio que não passa, pode não ser um desvio. Pode ser um chamado. Um chamado urgente e mudo da vida, nos arrastando para longe de tudo o que supostamente importava, para nos plantar no solo úmido do que somos. E ficar. Apenas ficar. Existe uma solidão que não clama por outra pessoa . É quando você se vira e se esbarra em si mesmo - um encontro violento com aquilo que você é quando ninguém está olhando, nem mesmo você. O barulho do mundo fica mudo. E o que sobra é um silêncio tão espesso que se sente nos ouvidos, na cabeça. É nesse deserto, nesse “estado de atenção para o vazio”, como disse Clarice Lispector (1977, p. 12), que algo começa. A realidade de todo dia, aquela dos cumprimentos, das ruas e dos mercados, se esfarela. Não há como segurá-la. No lugar, se levanta uma paisagem árida, mas de uma verdade que corta. As cores se vão, mas as formas ganham gumes. Você enxerga a costura grossa da existência, e ela arranh...

O DESTINO BIOLÓGICO E A RÉPLICA DO ESPÍRITO

Imagem
O início da vida não tem nada de solene. É um acontecimento físico, abrupto, feito de contrações, fluidos e urgência. Chegamos gritando, procurando ar, calor, alimento. Não há significado ali, apenas funcionamento. Pulmões se abrem, o coração acelera, o corpo reage como sabe reagir. Antes de qualquer ideia de identidade ou consciência, somos um corpo que precisa sobreviver. Somos pesados, medidos, observados. Já no primeiro instante, a vida se apresenta como aquilo que ela nunca deixa de ser: matéria em movimento. Esse corpo é o nosso primeiro território e, no fim das contas, o último. Tudo o que chamamos de pensamento, memória, imaginação ou afeto nasce dessa base instável, úmida, pulsante. A poesia, a filosofia e a fé vêm depois, como tentativas de dar forma e sentido a algo que começou sem nenhum deles. Viver é aprender a conviver com essa biologia insistente. A fome interrompe ideias elevadas, o cansaço limita planos, o desejo sexual impõe sua própria lógica. A doença, então, é o ...