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O VAZIO QUE TENTAMOS PREENCHER COM INSENSATEZ

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Há um momento, quase imperceptível, em que nos damos conta de que estamos a interpretar um papel num palco cujo cenário desmorona a cada fala.  Percebemos que a maior parte da energia humana é despejada na construção de degraus frágeis para sustentar o que já ruiu por dentro: as nossas certezas, os nossos deuses, os nossos sentidos emprestados. Somos os únicos animais que pagam para comprar a própria jaula, e depois chamamos de templo. Vivemos obcecados com a busca de um manual de instruções que nunca foi incluído na embalagem. Esta ânsia por um sentido pré-fabricado é o que move a nossa mais profunda insensatez. Atiramo-nos de cabeça para narrativas que nos prometem um final feliz, um spoiler cósmico que justifique toda a dor, todo o tédio, toda a absurdidade de acordarmos todos os dias para repetir, com variações mínimas, os mesmos rituais. Schopenhauer talvez risse deste nosso frenesi: condenados a ser a manifestação de uma vontade cega, saltamos de desejo em desejo, como um ...