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POR QUE ESCOLHEMOS A TIRANIA DA FÉ E DO ESTADO?

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A inquietação que percorre o espírito do nosso tempo não é meramente política ou econômica; é uma crise de profundidade existencial. Observa-se, com uma frequência cada vez mais alarmante, um recuo coletivo em direção a certezas absolutas, a bandeiras ideológicas incontestáveis e, sobretudo, a dogmas religiosos que oferecem um conforto barato à complexidade da condição humana. Este movimento não é orgânico, mas sim uma fuga. Uma fuga do peso esmagador de uma liberdade que não sabemos mais como carregar. Jean-Paul Sartre , em sua obra monumental, afirmou que estamos “condenados a ser livres ”. Esta condenação não é um presente, mas uma sentença que muitos se recusam a cumprir. A liberdade sartriana exige que nos reconheçamos como únicos autores de nossos valores e ações, sem a muleta de um deus, de uma tradição ou de um manual político que pense por nós . Assumir essa autoria é angustiante. É mais fácil, infinitamente mais cômodo, delegar essa responsabilidade a uma entidade superior ...

OS DEUSES EM SILÊNCIO E O SOM DAS BOMBAS

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A história humana é marcada por uma contradição profunda: a mesma fé que promete consolo e significado também justifica horror e destruição. Nenhum cenário atual ilustra essa paradoxal natureza melhor do que o conflito entre Israel e Gaza, onde a terra considerada santa por três grandes religiões é regada com o sangue dos seus fiéis. Aqui, a promessa de um paraíso futuro parece autorizar a criação de um inferno presente. Observamos, impotentes, a escalada de violência. De um lado, um estado que busca sua segurança e sobrevivência, fundamentado em uma identidade religiosa e histórica milenar. Do outro, um território sitiado, onde a resistência é frequentemente moldada por uma interpretação radical do Islã. Ambos os lados invocam Deus, ou Alá, como seu escudo e sua espada. A pergunta que ecoa, silenciada pelos estrondos das bombas, é: q ue tipo de divindade ordena a morte de crianças em seu nome? O teólogo Paul Tillich oferece uma ferramenta crucial para desmontarmos essa lógica mortal...

A RELIGIÃO INCULTA PERVERTIDA NO PALCO DO ABSURDO

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 A sensação de desarranjo parece pairar no ar, mais densa a cada manhã. Não são apenas crises pontuais, aquelas que os livros de história registram como capítulos isolados. É como se o próprio chão da normalidade tivesse rachado, e agora pisamos em terreno movediço, onde o absurdo se disfarça de cotidiano. As notícias, um cortejo interminável de conflitos e catástrofes, já não causam espanto, apenas um cansaço mudo. Schopenhauer talvez visse nisso a confirmação sombria de seu mundo como pura Vontade, cega e insaciável, devorando-se a si mesma num espetáculo sem sentido. O palco global parece refletir essa luta cega, onde a razão é a primeira vítima. Em meio a essa turbulência, velhas ferramentas de consolo se transformam em armas contundentes. A religião, que para alguns ainda guarda um refúgio de transcendência, é frequentemente sequestrada por discursos de ódio e exclusão. Assistimos, atônitos ou já anestesiados, a atrocidades cometidas em nome do sagrado. Como Cioran ironizar...

QUANDO A CRENÇA PERDE A NOÇÃO DE RESPEITO

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Para muitos, a religião é como um pilar, sustentando valores morais e a vida espiritual. Serve de inspiração para atos de bondade, união e para fortalecer o espírito comunitário. Contudo, existe uma linha muito fina que separa a fé da obsessão, e quando essa barreira é ultrapassada, as consequências para a sociedade são terrivelmente prejudiciais, principalmente na política e no progresso social. Atualmente, vemos discursos religiosos saindo dos templos e invadindo o cotidiano, impondo regras morais que desconsideram a variedade de estilos de vida. Nesse cenário, a espiritualidade perde espaço para a busca por poder. Ameaça ao Estado Laico: A obsessão religiosa é uma ameaça direta à laicidade do Estado. Grupos radicais, ao se organizarem politicamente, procuram moldar as políticas públicas com base em suas crenças, ignorando a diversidade de credos (e a ausência deles) numa sociedade democrática. Essa influência se manifesta em atos como: Restrição à liberdade de expressão em materiais...