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QUANDO AGARRAR-SE DEMAIS NOS CONSOME

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Vivemos grudados. Nas coisas que acumulamos, nas pessoas que idealizamos, nas certezas que construímos tijolo por tijolo – como se fossem muralhas contra o caos. Esse apego, ah, parece tão natural... um porto seguro, um ponto fixo num mundo que não para de girar. Mas e se esse porto for uma ilusão? E se, ao nos agarrarmos com unhas e dentes, estivermos apenas cavando mais fundo a nossa própria armadilha? Figuras tão distintas quanto o sombrio Schopenhauer , o cáustico Cioran e os antigos sábios budistas, cada qual a seu modo, martelam numa ideia incômoda: o sofrimento que tanto lamentamos brota, com frequência, desse nosso agarrar-se desesperado. Dessa ânsia de possuir, controlar, eternizar o que é, por natureza, fugidio. Schopenhauer via o coração da vida como uma "Vontade". Não uma vontadezinha qualquer, mas uma força cega, insaciável, um monstro faminto morando dentro de nós. Essa Vontade é o motor. Ela nos empurra, sem descanso, na direção do desejo: mais dinheiro, mais...

QUANDO DEUS SOBE NO PALANQUE

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A religião sempre foi um espelho deformado da condição humana . Ela promete sentido no caos, consolo na dor, um fio de luz na escuridão que nos envolve desde o nascimento. Mas quando esse espelho é erguido nos palcos da política, ele distorce a realidade. O que deveria libertar se transforma em corrente; o que deveria iluminar se converte em sombra. Cioran descreveu a fé como um anestésico para a consciência, um bálsamo que nos permite suportar a dor de existir. Mas toda anestesia tem preço. Um povo anestesiado pelo conforto de ilusões torna-se dócil, facilmente guiado por mãos que sabem misturar promessa divina e autoridade humana. O governo que fala em nome de Deus não governa cidadãos; governa fé disfarçada de poder. Nietzsche foi ainda mais direto: o cristianismo é a moral dos escravos. Ensina resignação, subordinação e paciência diante da injustiça. A política, consciente dessa docilidade, usa a fé como muleta. Quanto mais o povo espera recompensas em outro mundo, menos ele ques...

A ESTUPIDEZ HUMANA - PEQUENAS PALAVRAS

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Afinal, porque ainda cometemos todos os mesmos erros? Por que decisões estúpidas voltam a se repetir e se repetir nos governos, religiões, empresas e, até mesmo, dentro de casa? A resposta, é claro, é: a estupidez . Mas aqui você precisa entender, estamos falando sobre burrice, no sentido literal da palavra, ou sobre algo específico? Tentarei responder a perguntas e discutirei, em parte, as ideias de estupidez de três dos maiores pensadores do conhecimento moderno - Emil Cioran , Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche .  Se o filósofo romeno, Emil Cioran, conhecido por seu extremo pessimismo estiver certo, a consciência é um castigo. Quando pensamos em demasia, sofremos demasiado. Quando nem mesmo paramos para pensar e vivemos automaticamente, não nos intimidamos e paramos de nos questionar, parecemos mais leves, mais “adaptados” ao absurdo dessa vida . Mas aqui também, talvez seja a razão. Afinal, esses “adaptados” chegam ao poder. E aqui está o perigo -  a estupidez é...