Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta apego

POR QUE O MEDO DA MORTE NOS AFASTA DA VIDA?

Imagem
Às vezes, deitado na cama antes de dormir, aquele pensamento surge do nada: um dia, tudo isso vai acabar. Não é só um pensamento passageiro; é uma certeza que pesa no peito, um frio na espinha que lembra que nossos dias são contados. Essa consciência da finitude, do nosso limite absoluto, é uma das experiências mais universais e, ao mesmo tempo, mais angustiantes do ser humano.  Por que algo tão natural assombra tanto? Filósofos antigos e o Budismo têm se debruçado sobre essa questão há milênios. Eles não viam a morte como um monstro, mas como um mestre – um professor rigoroso cujas lições, se aprendidas, podem libertar-nos de uma ansiedade paralisante. O problema não é a morte em si, mas o nosso relacionamento doentio com ela. Vivemos como se fôssemos eternos. Planejamos décadas à frente, acumulamos posses como se pudéssemos levá-las conosco e nos apegamos a status e até mesmo a pessoas, com uma força que nega, veementemente, a lei mais básica da existência: tudo muda, tudo pas...

QUANDO AGARRAR-SE DEMAIS NOS CONSOME

Imagem
Vivemos grudados. Nas coisas que acumulamos, nas pessoas que idealizamos, nas certezas que construímos tijolo por tijolo – como se fossem muralhas contra o caos. Esse apego, ah, parece tão natural... um porto seguro, um ponto fixo num mundo que não para de girar. Mas e se esse porto for uma ilusão? E se, ao nos agarrarmos com unhas e dentes, estivermos apenas cavando mais fundo a nossa própria armadilha? Figuras tão distintas quanto o sombrio Schopenhauer , o cáustico Cioran e os antigos sábios budistas, cada qual a seu modo, martelam numa ideia incômoda: o sofrimento que tanto lamentamos brota, com frequência, desse nosso agarrar-se desesperado. Dessa ânsia de possuir, controlar, eternizar o que é, por natureza, fugidio. Schopenhauer via o coração da vida como uma "Vontade". Não uma vontadezinha qualquer, mas uma força cega, insaciável, um monstro faminto morando dentro de nós. Essa Vontade é o motor. Ela nos empurra, sem descanso, na direção do desejo: mais dinheiro, mais...