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O MAL DISCRETO DA ESTUPIDEZ MODERNA

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Há momentos em que a estupidez humana aparece não como um acidente, mas como um modo de ser do mundo - uma vibração subterrânea que percorre as estruturas sociais e os nervos individuais. Não se trata do erro, que ainda carrega a dignidade de um desvio humano, mas de outra coisa: uma espécie de desatenção ontológica, como se parte da humanidade tivesse desistido de olhar para si, preferindo o conforto de respostas prontas à inquietação de pensar. Pascal já advertira: a miséria do homem decorre de sua incapacidade de permanecer sozinho em seu quarto (PASCAL, 2005). Talvez porque ali, no silêncio, somos obrigados a ouvir o rumor de nossa própria finitude, e a estupidez surge justamente como o mecanismo que tenta nos poupar desse encontro. O século XXI intensificou essa tendência ao oferecer um cardápio infinito de distrações, onde as opiniões, desprovidas de lastro, circulam com a velocidade dos impulsos elétricos. Arendt viu na banalidade do mal não uma monstruosidade extraordinári...

O MAL QUE HABITA AO LADO - INÉRCIA E OPRESSÃO

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A pergunta pela origem do mal não é um mero exercício teológico ou filosófico para ser debatido em torres de marfim. Ela ecoa nos nossos silêncios constrangidos, nas pequenas traições do dia a dia, na frieza com que às vezes ignoramos o sofrimento alheio. De onde vem essa capacidade, tão humana, de causar dor? Será que o mal é uma força externa e sobrenatural, ou algo que brota de dentro de nós, um produto amargo da nossa própria condição? Há séculos, Sócrates balançou Atenas com uma ideia desconcertante: ninguém faz o mal voluntariamente. Para ele, todo ato prejudicial é, em sua raiz última, um erro de cálculo . A pessoa que pratica o mal sofre de uma profunda ignorância, não de fatos, mas do que verdadeiramente é o bem. Ela confunde seu interesse imediato, seu prazer ou sua segurança com a verdadeira felicidade. Nessa visão, o malfeitor é, antes de tudo, um tolo, um ignorante que precisa ser educado, não apenas punido. É uma visão muito generosa, mas será suficiente para explicar ...