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ELAS TIVERAM MEDO; HOJE, PRECISAM FAZER HISTÓRIA

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O medo é uma sombra familiar para muitas mulheres , uma presença constante que sussurra cautela onde deveria haver impulso, que aconselha silêncio onde a voz precisa erguer-se. É uma herança ancestral, cultivada em séculos de exclusão e subjugação, que insiste em ditar os limites do possível. Mas e se o medo não for um aviso, mas um convite? Um limiar a ser transposto justamente porque assusta? Foi nesse espaço tenso, entre o pavor paralisante e a ação corajosa, que incontáveis mulheres descobriram que a história não é algo que simplesmente acontece; é algo que se faz, ainda que com as mãos tremendo. No século XVIII, Mary Wollstonecraft já encarava esse fantasma de frente. Ela não pediu licença para questionar as estruturas que tornavam as mulheres criaturas frívolas e dependentes, educadas apenas para o agrado masculino. Em sua obra, Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher (1792, p. 45), ela argumenta com ferocidade: " Fortaleçam a mente feminina alargando-a, e haverá um fim ...

POR QUE O MEDO DA MORTE NOS AFASTA DA VIDA?

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Às vezes, deitado na cama antes de dormir, aquele pensamento surge do nada: um dia, tudo isso vai acabar. Não é só um pensamento passageiro; é uma certeza que pesa no peito, um frio na espinha que lembra que nossos dias são contados. Essa consciência da finitude, do nosso limite absoluto, é uma das experiências mais universais e, ao mesmo tempo, mais angustiantes do ser humano.  Por que algo tão natural assombra tanto? Filósofos antigos e o Budismo têm se debruçado sobre essa questão há milênios. Eles não viam a morte como um monstro, mas como um mestre – um professor rigoroso cujas lições, se aprendidas, podem libertar-nos de uma ansiedade paralisante. O problema não é a morte em si, mas o nosso relacionamento doentio com ela. Vivemos como se fôssemos eternos. Planejamos décadas à frente, acumulamos posses como se pudéssemos levá-las conosco e nos apegamos a status e até mesmo a pessoas, com uma força que nega, veementemente, a lei mais básica da existência: tudo muda, tudo pas...

REFLEXÕES SOBRE PODER, MEDO E RESISTÊNCIA

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O poder absoluto não corrompe absolutamente; ele atrai os corruptíveis. Por que cidadãos de toda uma nação, ou pelo menos grande parte deles, disseram “ sieg heil ” e assassinaram milhões de judeus, milhares de ciganos, inimigos políticos e homossexuais? Por que o governo de Israel, mata inocentes de fome, numa vingança desproporcional aos ataques do grupo Hamas? " Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor." (Levítico 19:18).  Por que os questionadores estão calados? Essas perguntas, que ecoam tragédias históricas e conflitos contemporâneos, encontram um terreno fértil para reflexão em uma das obras mais profundas da ficção especulativa: a saga Duna , de Frank Herbert. Em meio à comoção midiática que cercou os lançamentos cinematográficos de Dune: Part One (2021) e Dune: Part Two (2024) dirigidos por Denis Villeneuve , vale a pena mergulharmos nas camadas filosóficas da narrativa original, publi...