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O DESTINO BIOLÓGICO E A RÉPLICA DO ESPÍRITO

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O início da vida não tem nada de solene. É um acontecimento físico, abrupto, feito de contrações, fluidos e urgência. Chegamos gritando, procurando ar, calor, alimento. Não há significado ali, apenas funcionamento. Pulmões se abrem, o coração acelera, o corpo reage como sabe reagir. Antes de qualquer ideia de identidade ou consciência, somos um corpo que precisa sobreviver. Somos pesados, medidos, observados. Já no primeiro instante, a vida se apresenta como aquilo que ela nunca deixa de ser: matéria em movimento. Esse corpo é o nosso primeiro território e, no fim das contas, o último. Tudo o que chamamos de pensamento, memória, imaginação ou afeto nasce dessa base instável, úmida, pulsante. A poesia, a filosofia e a fé vêm depois, como tentativas de dar forma e sentido a algo que começou sem nenhum deles. Viver é aprender a conviver com essa biologia insistente. A fome interrompe ideias elevadas, o cansaço limita planos, o desejo sexual impõe sua própria lógica. A doença, então, é o ...