QUANDO OS LÍDERES VIRAM PERSONAGENS E O POVO PLATÉIA
O mundo parece ter mergulhado de cabeça num daqueles romances distópicos que a gente lê com um certo distanciamento cômodo, convencidos de que aquela realidade nunca chegaria às nossas portas. Mas eis que ela não só chegou como bateu com força, não com um estrondo, mas com um tuít e. A ascensão de figuras como Donald Trump não foi um acidente histórico, mas o sintoma de uma doença muito mais profunda, que corrói as entranhas das democracias modernas . É o culto à personalidade elevado à enésima potência, onde o ego do líder deixa de ser um traço de personalidade para se tornar a própria estratégia de governo. Esses líderes, veja bem, não governam – eles atuam. A especialidade é construir realidades paralelas, um mundo onde os fatos são moeda de troca e a verdade não passa de um incômodo a ser eliminado. O grande tabuleiro das relações internacionais, que sempre demandou racionalidade e um mínimo de previsibilidade, foi reduzido a um reality show grotesco, onde humilhar um aliad...