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O ECO DO VAZIO: POR QUE TEMEMOS O FIM SE ACREDITAMOS NO PARAÍSO?

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Há uma inquietação que não cala, um sussurro no osso. A gente passa a vida toda construindo uma certeza sobre o amanhã, mas é esse mesmo amanhã que um dia vai nos faltar. O curioso é observar como esse pavor horrívell do fim, do nada, consegue dividir espaço no peito com a crença mais tranquila em um paraíso, uma vida eterna sem dor. Como é que a gente pode, ao mesmo tempo, tremer diante da morte e cantar glórias ao céu? Penso que esse medo não é covardia. É uma resposta quase biológica à consciência mais desconcertante que temos: a de que somos meros passageiros . O filósofo Martin Heidegger cutucou essa ferida quando falou que somos um "ser-para-a-morte". Soa muito mórbido, mas a intuição por trás é aguda. A morte não é um acidente no fim da estrada; ela é a própria estrada . É porque sabemos que o caminho termina que cada paisagem, cada curva, ganha um brilho doloroso e precioso. E as religiões, ah, as religiões... Elas foram nossas primeiras e mais geniais cartógrafas do...

O QUE NOS AFUNDA E A LIBERDADE IGNORADA

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A gente vive numa correria desenfreada, enchendo os nossos dias de obrigações, metas e distrações. É um ritmo muito louco, quase automático. Até que, do nada, alguma coisa nos faz despertar. Pode ser um resultado de exame, a perda de alguém que amamos, ou simplesmente aquele momento pela manhã em que nos perguntamos: onde foi parar aquele jovem que eu era? De repente, a penumbra da finitude, que sempre esteve ali, se torna visível e fica impossível ignorar. E aí a pergunta que a gente empurra com a barriga a vida inteira vem com uma força avassaladora: e quando acabar? O curioso é que aparentemente somos os únicos animais a carregar esse fardo. Você já viu um gato ter uma crise de ansiedade pensando que só tem mais sete vidas? Um elefante, por mais sábio que seja, não fica angustiado com a própria finitude. Nós, os humanos, ganhamos uma faca de dois gumes: a consciência. Ela nos deu a arte, a ciência, o amor. Mas também nos deu o conhecimento terrível de que um dia a festa acaba. E a g...