QUANDO O QUE FAZ SENTIDO É DEIXAR DE BUSCAR O SENTIDO
Existem ocasiões onde as bases em que confiávamos começam a desmoronar. Aquelas convicções, organizadas com tanto cuidado, se desfazem como estuque ressecado. O planeta, que antes se mostrava sólido, subitamente revela sua fragilidade, e o suporte some sob nossos passos. Foi nesse ambiente incerto que Albert Camus construiu sua clareza – sem apoios, sem crenças, sem conforto. Ele não surgiu para salvar ninguém. Apenas evidenciou a falta, e solicitou que a encarássemos profundamente, sem desviar o olhar. Na visão de Camus, o absurdo não é um conceito, mas sim uma experiência. É aquele momento súbito, numa banal terça-feira, quando a rotina se desfaz e a existência, antes tão familiar, surge como algo alheio. Você se encara no reflexo e se sente um estranho. Existe um fosso imenso entre a ânsia por significado e o implacável mutismo do planeta. Somos forasteiros, buscando interpretação num cosmos que permanece mudo. Meursault - aquele que não chorou no enterro da mãe - é o homem que ...