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A RELIGIÃO INCULTA PERVERTIDA NO PALCO DO ABSURDO

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 A sensação de desarranjo parece pairar no ar, mais densa a cada manhã. Não são apenas crises pontuais, aquelas que os livros de história registram como capítulos isolados. É como se o próprio chão da normalidade tivesse rachado, e agora pisamos em terreno movediço, onde o absurdo se disfarça de cotidiano. As notícias, um cortejo interminável de conflitos e catástrofes, já não causam espanto, apenas um cansaço mudo. Schopenhauer talvez visse nisso a confirmação sombria de seu mundo como pura Vontade, cega e insaciável, devorando-se a si mesma num espetáculo sem sentido. O palco global parece refletir essa luta cega, onde a razão é a primeira vítima. Em meio a essa turbulência, velhas ferramentas de consolo se transformam em armas contundentes. A religião, que para alguns ainda guarda um refúgio de transcendência, é frequentemente sequestrada por discursos de ódio e exclusão. Assistimos, atônitos ou já anestesiados, a atrocidades cometidas em nome do sagrado. Como Cioran ironizar...

BUSCANDO SIGNIFICADO NUM MUNDO EM CONSTANTE MUDANÇA

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Desde que despertamos para a consciência, uma indagação persiste: qual é o propósito da vida? Uma procura sem fim, uma viagem pessoal que se revela em cenários interiores intrincados e, por vezes, paradoxais. Não existe uma solução universal, um roteiro fixo para todos. O significado, talvez, esteja na própria investigação, na receptividade à vivência e na ousadia de acolher a transitoriedade. No decorrer dos tempos, intelectuais, filósofos e guias espirituais se dedicaram a este questionamento crucial. Para Viktor Frankl , a logoterapia nos incentiva a descobrir sentido até nos momentos mais difíceis, superando o padecimento por meio da procura por um objetivo. Um livro como " Em Busca de Sentido " se torna um guia, evidenciando a habilidade humana de reelaborar a aflição e achar um rumo para o futuro. A corrente existencialista, com expoentes como Jean-Paul Sartre e Albert Camus , nos defronta com a liberdade absoluta e a obrigação pessoal. Sartre, em "O Ser e o Nada...

O PÓ, O SILÊNCIO E AS PEQUENAS VIDAS EM GAZA

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Quando o sol surge no horizonte e atravessa aquele caldo de poeira e fumaça em Gaza, já se foi a bela  paisagem de sempre. O que ele clareia agora é só destroço. Montanhas de concreto triturado que, não faz nem tanto tempo assim, eram casas, escolas, pequenos mercados e hospitais. Onde antes tinha vida – buzina, criança correndo, vizinho gritando no portão - agora virou cemitério a céu aberto, um atrás do outro. Agora, o vento que vem do mar só carrega cheiro de pólvora e fumaça. E tudo isso não caiu do céu do nada – tem uma origem sangrenta, bem marcada: os ataques violentos do Hamas contra civis israelenses lá em 7 de outubro . Aquele dia foi puro terror, morte sem critério, gente sequestrada. A partir dali, apertaram o botão de destruição. A dor das famílias israelenses, que é real, de cortar o coração, virou munição pra justificar uma resposta militar descomunal, sem limite, sem diferença entre quem fez ou quem só  estava ali tentando viver. Honestamente? Perdeu-se qualque...

QUANDO OS DEMAGOGOS RESSURGEM NAS CRISES

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A sensação é estranhamente familiar. Em diversas nações, figuras políticas que desafiam instituições, semeiam polarização e flertam com o autoritarismo ganham espaço . Não é um fenômeno isolado, nem surgiu do vácuo. A ascensão de lideranças de extrema-direita na atualidade ecoa, de forma perturbadora, padrões históricos que historiadores e cientistas políticos vêm há décadas alertando. Compreender essa dinâmica não é um exercício acadêmico distante; é crucial para decifrar nosso presente. A mistura política perfeita para esses movimentos parece sempre envolver uma mistura tóxica de insegurança profunda. Crises econômicas prolongadas, que corroem a confiança no futuro e ampliam desigualdades, são combustível potente. Como Robert Paxton , renomado historiador do fascismo, observa, movimentos radicais frequentemente encontram terreno fértil quando grandes parcelas da população se sentem "deixadas para trás", economicamente vulneráveis e culturalmente deslocadas. A ansiedade sob...

OS SANTOS DE BOUTIQUE QUE SEQUESTRAM O SAGRADO

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"Quem conhece profundamente os homens evita os ídolos" (Nietzsche). Você já parou pra pensar quantos "ungidos" surgem por ano? Parece epidemia de messias. Pastores de helicóptero, gurus de academia premium, apóstolos que cobram ingresso pra "noite do poder". Tá virando um mercado de ilusões onde a fé é precificada e a esperança, vendida a prestação. O pior é ver gente inteligente caindo nesse conto. Como dizia Zygmant Bauman , o sociólogo da modernidade líquida: " A fragilidade das certezas transforma charlatães em salvadores ". Quando o desemprego aperta, o casamento desanda ou a depressão bate, qualquer picareta com discurso bíblico e terninho caro vira farol. E nós? Trocamos o senso crítico por um pacote de milagres fictícios. Mas atenção: Não estou falando de fé verdadeira - pelo menos pelo que se entende como fé. Falo da indústria que transforma templos em shopping centers espirituais. Aquela máquina bem ajeitada que converte: dúvidas em ...

ACORDAR CHORANDO PORQUE AINDA NÃO ENTENDE COMO DESAPARECER

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Esta frase não está nos livros de autoajuda . Nunca se falou tanto em autocontrole, serenidade, aceitação. Seja forte, dizem, respira fundo, não reaja, não reclame. Engole seco e siga. É o mantra do nosso tempo. A verdade é, nem todo mundo consegue suportar a vida com compostura. E talvez não devesse mesmo. Quantas vezes você já viu alguém quebrar em mil pedaços e ouvir: "Você precisa ser forte". Quantas vezes alguém perdeu o filho, foi traído, humilhado, destruído? E a resposta foi: aceite, você não controla o mundo, só suas reações. Parece justo, parece sábio, mas é real? Você deve olhar pro horror e dizer: "Sim, isso é insuportável e que isso seja o bastante." Dizer a alguém em luto: "aceite", é da vida." É o mesmo que dar um copo de água a alguém que está se afogando. É o tipo de consolo que alivia quem diz, nunca quem ouve, porque há dores que não cabem em molduras filosóficas.  Há uma arrogância disfarçada de serenidade em quem tenta transformar...

A ESTUPIDEZ HUMANA - PEQUENAS PALAVRAS

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Afinal, porque ainda cometemos todos os mesmos erros? Por que decisões estúpidas voltam a se repetir e se repetir nos governos, religiões, empresas e, até mesmo, dentro de casa? A resposta, é claro, é: a estupidez . Mas aqui você precisa entender, estamos falando sobre burrice, no sentido literal da palavra, ou sobre algo específico? Tentarei responder a perguntas e discutirei, em parte, as ideias de estupidez de três dos maiores pensadores do conhecimento moderno - Emil Cioran , Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche .  Se o filósofo romeno, Emil Cioran, conhecido por seu extremo pessimismo estiver certo, a consciência é um castigo. Quando pensamos em demasia, sofremos demasiado. Quando nem mesmo paramos para pensar e vivemos automaticamente, não nos intimidamos e paramos de nos questionar, parecemos mais leves, mais “adaptados” ao absurdo dessa vida . Mas aqui também, talvez seja a razão. Afinal, esses “adaptados” chegam ao poder. E aqui está o perigo -  a estupidez é...